Indígenas da etnia Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul denunciaram uma série de casos de violência envolvendo tentativas de assassinatos e ameaças de envenenamento de água após o resultado das eleições presidenciais de domingo. Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), pelo menos cinco homicídios de indígenas na região desde sábado estão sendo investigados pelas autoridades competentes.
Matias Benno Rempel, coordenador do Cimi em Mato Grosso do Sul, revelou que os indígenas sofreram intimidações durante todo o período eleitoral, com relatos de “caminhonetes rodando pelo território” e agressões direcionadas a membros da comunidade para impedi-los de votar. No entanto, Rempel enfatizou que a violência contra os Guarani Kaiowá é sistemática e permanente na região, não se limitando apenas ao período eleitoral. “Essa violência que está sendo chamada de violência pós-eleitoral é um componente permanente de milícias do campo”, afirmou.
Entre as denúncias investigadas está uma ameaça de envenenar a água consumida pela comunidade. Em áudio atribuído a funcionário da prefeitura de Tacuru, extremo sul do estado, o homem afirma que indígenas deveriam ser mortos por votarem em Luiz Inácio Lula da Silva. A gravação menciona: “ponha veneno na água, (vamos) matar essas praga na água”. Após a divulgação do áudio, muitas famílias pararam de consumir a água distribuída por caminhões-pipa. O Ministério Público Federal deu prazo de 24 horas para que a prefeitura de Tacuru esclareça a autenticidade dos áudios e as medidas adotadas. Funai, Ministério dos Povos Indígenas e Apib já acionaram o MPF e a Polícia Federal para investigar todos os casos.
Dados da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) indicam que entre 2022 e 2026, seis indígenas Guarani Kaiowá foram assassinados no estado de Mato Grosso do Sul.
Com informações da Agência Brasil.


