Cultura

Unesco reconhece três sítios históricos brasileiros ligados à memória da escravidão

O Cais do Valongo, a Sociedade Protetora dos Desvalidos e a Serra da Barriga foram inscritos na Rede de Lugares de História e Memória da Unesco. A inclusão reforça o reconhecimento internacional da resistência negra e contribui para preservar a memória da escravidão no Brasil.

O Brasil ganhou mais três espaços reconhecidos pela Unesco como lugares de importância histórica relacionados à escravidão e resistência negra. O Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, a Sociedade Protetora dos Desvalidos, em Salvador, e a Serra da Barriga, em Alagoas, foram inscritos na Rede de Lugares de História e Memória Relacionados à Escravidão e ao Tráfico de Pessoas Escravizadas da organização internacional.

O Cais do Valongo preserva vestígios de um dos principais pontos de desembarque de africanos escravizados nas Américas e já integrava a Lista do Patrimônio Mundial da Unesco desde 2017. A Sociedade Protetora dos Desvalidos, fundada em 1832 em Salvador, é a primeira instituição civil negra em funcionamento contínuo no Brasil e simboliza a organização e solidariedade da população negra desde o século XIX. A Serra da Barriga, que abriga o Parque Memorial Quilombo dos Palmares em União dos Palmares, resguarda a memória do histórico quilombo que resistiu à escravidão.

Segundo Marlova Jovchelovitch Noleto, diretora e representante da Unesco no Brasil, a inclusão desses sítios representa “um importante reconhecimento internacional de seu valor histórico e de sua contribuição para a preservação da memória da escravidão e da resistência da população negra”. A iniciativa vai além da preservação patrimonial: busca transmitir essa memória às novas gerações, auxiliar na compreensão dos efeitos duradouros da escravidão, incluindo o racismo estrutural, e fortalecer o diálogo intercultural e a promoção dos direitos humanos.

Para especialistas como o historiador Ivanir dos Santos, doutorando pela UFRJ, a valorização desses espaços questiona as narrativas tradicionais sobre a formação brasileira e reconhece o protagonismo da população negra. Contudo, o professor ressalva que o reconhecimento institucional deve vir acompanhado de políticas efetivas de preservação, educação antirracista e participação das comunidades negras na gestão desses lugares. “A proteção desses patrimônios contribui para democratizar a memória coletiva, confrontar o racismo estrutural e reafirmar o papel histórico do movimento negro na construção de uma sociedade mais justa”, pontua.

Com informações da Agência Brasil.

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