Brasil

Nova lei reconhece direito de decidir sobre própria morte com dignidade

Lei aprovada em 2026 estabelece direito dos pacientes de expressar antecipadamente suas vontades sobre cuidados no fim da vida. Especialistas apontam avanço importante para garantir autonomia e dignidade humana.

Uma nova legislação aprovada este ano no Brasil amplia a proteção aos direitos dos pacientes e reconhece a importância de conversas prévias sobre morte e fim de vida. A Lei nº 15.378/2026 criou o Estatuto dos Direitos dos Pacientes, estabelecendo direitos como autonomia, consentimento informado e acesso ao prontuário. Entre os avanços está o reconhecimento das diretivas antecipadas de vontade, documentos em que as pessoas podem expressar antecipadamente seus desejos sobre tratamentos e cuidados no fim da vida.

A história da família Pinheiro exemplifica o impacto positivo dessas conversas. Regina Célia e seu marido Antonio nunca evitaram o tema da morte. Quando Regina faleceu aos 77 anos, em 2021, a família respeitou suas vontades, realizando um velório diferente, com celebração e abraços entre os mais de 160 presentes. Dois anos depois, quando Antonio morreu aos 80 anos, também foram honrados seus desejos. “Nós não persistimos porque sempre escutamos muito a vontade deles. A gente sempre conversava sobre isso”, recorda Márcia Pinheiro, filha do casal.

Segundo a assistente social e pesquisadora Clisciene Magalhães, autora do livro “Antes de Morrer: Diretivas Antecipadas de Vontade”, a lei representa um grande avanço para o país. “Esse é um tema historicamente cercado de tabu e desinformação no Brasil”, afirma. Magalhães destaca que as diretivas garantem aos cidadãos o direito de decidir sobre cuidados paliativos, local de morte e até aspectos da despedida. A especialista defende que essas informações deveriam ser catalogadas no Sistema Único de Saúde para que todos possam acessar seus direitos, independentemente de recursos financeiros.

Para especialistas, garantir a autonomia na hora da morte parte da ideia de cuidado humanizado e representa dignidade. Magalhães recomenda que familiares conversem sobre o tema em momentos de saúde, incluindo as crianças nessas discussões para evitar traumas futuros. A lei transformou uma prática que era tabu em um direito garantido, permitindo que pessoas como Regina e Antonio vivessem seus últimos momentos conforme desejavam, cercadas de amor e respeito.

Com informações da Agência Brasil.

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