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Racismo e desigualdade comprometem aprendizagem de crianças cearenses, revela estudo

Pesquisa da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal mostra que aos 5 anos já existem diferenças significativas no desempenho de crianças conforme raça e nível socioeconômico. O estudo aponta que políticas públicas podem reverter esse quadro desde a primeira infância.

Crianças pretas e pardas apresentam desempenho inferior em habilidades fundamentais quando comparadas a crianças brancas já aos cinco anos de idade. É o que revelou um estudo da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal baseado em avaliação internacional sobre aprendizagem e bem-estar na primeira infância. A análise, que integra dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), identificou diferenças de até 40 pontos em numeracia emergente entre crianças pretas (423 pontos) e brancas (463 pontos), evidenciando o impacto do racismo estrutural nas oportunidades educacionais desde cedo.

As desigualdades se acentuam quando considerados fatores socioeconômicos. A maior disparidade foi encontrada em numeracia, com 84 pontos de diferença entre crianças pretas, pardas ou indígenas de famílias pobres (416 pontos) e crianças brancas ou amarelas de famílias de alta renda (500 pontos). Em literacia e memória de trabalho, as diferenças chegam a 55 pontos. “Quando as desigualdades começam na primeira infância e não são enfrentadas, elas se acumulam ao longo da vida, ampliando diferenças nas trajetórias educacionais”, destaca Marina Chicaro, diretora de Políticas Públicas da fundação.

O estudo aponta caminhos viáveis para reverter esse cenário através de políticas públicas. Entre as recomendações estão: monitoramento desagregado por raça/cor dos dados educacionais, combinação de políticas universais e focalizadas em grupos vulneráveis, formação continuada de professores em contextos de pobreza, ampliação de oportunidades em numeracia e fortalecimento da integração entre educação, saúde e assistência social. Marcos legais já em vigor, como a Política Nacional Integrada da Primeira Infância e o Novo Plano Nacional de Educação, estabelecem diretrizes para reduzir essas disparidades desde a educação infantil, representando um passo importante na construção de uma sociedade mais equitativa.

Com informações da Agência Brasil.

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