Os democratas assumiram o controle tanto do Senado quanto da Câmara dos Representantes, marcando uma virada política histórica nos Estados Unidos. Dezenas de milhões de eleitores rejeitaram o governo de Donald Trump nas urnas, devolvendo o poder legislativo ao partido que havia perdido o Congresso dois anos atrás. A votação representou uma crítica contundente ao presidente, especialmente nos redutos conservadores que o levaram ao segundo mandato.
A frustração do eleitorado americano com questões cruciais impulsionou a virada democrata. A impopular guerra contra o Irã, o alto custo de vida e a insatisfação com a forma de governar de Trump foram fatores determinantes para mudanças de voto em Estados tradicionalmente republicanos. No Kansas, os democratas elegeram seu primeiro senador desde a Grande Depressão. Na Carolina do Sul, onde Trump venceu por quase 18 pontos em 2024, os candidatos democráticos derrotaram o escolhido a dedo pelo presidente. No Texas, maior reduto republicano do país, o partido pôs fim a décadas de derrotas consecutivas, conquistando uma cadeira no Senado e destituindo o governador Greg Abbott.
Com o novo equilíbrio de forças em Washington, espera-se que os democratas utilizem seu poder para investigar o governo Trump, sua família e seus aliados, além de bloquear indicados presidenciais para a Suprema Corte. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, destacou a importância do resultado: “Há agora uma reformulação geracional do mapa do Senado que vai mudar os Estados Unidos. Os norte-americanos votaram pela mudança, e agora os democratas devem cumprir o prometido.” A mudança de comando legislativo marca o início de uma nova era de governo dividido, após dois anos em que o Congresso republicano raramente conteve o poder presidencial.
Embora houvesse receios democratas sobre possíveis tentativas de anulação eleitoral, Trump aceitou o resultado e parabenizou os adversários em entrevista à Fox News. O presidente sinalizou disposição em trabalhar com os democratas em questões como imigração, mas ameaçou vetar projetos que considerasse “insanos”. A derrota do partido do presidente na legislatura também pode acelerar sua condição de político em fim de mandato, conforme a atenção se volta para a corrida presidencial de 2028.
Com informações da Agência Brasil.


