Donald Trump sofreu uma derrota histórica nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, perdendo o controle da Câmara e do Senado para os democratas. O resultado reflete a rejeição dos eleitores americanos a políticas que agravaram a inflação, envolveram escândalos de corrupção e levaram o país a conflitos internacionais desnecessários. Republicanos foram derrotados até em estados tradicionalmente vermelhos como Texas—onde um democrata não vencia há 38 anos—Carolina do Sul, Kansas, Ohio e Iowa.
Pesquisas de boca de urna indicam que a população culpou Trump diretamente pela piora da economia: 65% afirmaram que suas políticas pioraram o cenário econômico, enquanto 62% o responsabilizaram pelos altos preços. A política de tarifas contra importações encareceu produtos, e o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, após ataque americano, elevou os preços da gasolina e combustíveis. Além disso, 63% dos eleitores desaprovaram a ação militar contra o Irã. Preocupações com Inteligência Artificial também pesaram nas urnas: 57% temem que a IA trará mais males que benefícios, e 76% se opõem à construção de data centers em suas comunidades.
Os escândalos de corrupção envolvendo a família Trump ganharam importância decisiva durante a campanha. The New York Times venceu o prêmio Pulitzer de 2026 ao revelar conflitos de interesse e enriquecimento ilícito na administração, enquanto The Washington Post mostrou que 15 empresas dos filhos de Trump arrecadaram US$ 3,2 bilhões em contratos federais. Para especialistas como o professor James N. Green, da Universidade de Brown, a derrota marca “o começo e o fim do poder de Donald Trump”, revelando que eleitores que o apoiaram esperavam políticas voltadas para questões materiais internas, não para conflitos internacionais e enriquecimento familiar.
A vitória democrata representa também um arrefecimento da onda de extrema-direita que varreu o mundo. Especialistas apontam que o resultado dos EUA contrasta com tendências recentes na América Latina e sinaliza possível mudança na maré política global de regimes autoritários e conservadores.
Com informações da Agência Brasil.


