Fortaleza

15 trabalhadores são resgatados em condições precárias em Fortaleza

Maranhenses ficaram sem comida por 24h e sem salário em canteiro de obras na Grande Fortaleza. Sindicato realizou resgate em Maranguape.

15 trabalhadores são resgatados em condições precárias em Fortaleza
15 trabalhadores são resgatados em condições precárias em Fortaleza

Um grupo de 15 trabalhadores da construção civil foi resgatado na terça-feira (21) em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza. Os homens, todos vindos do Maranhão, estavam há mais de 24 horas sem se alimentar e trabalhavam em condições degradantes, sem receber salários regularmente.

O resgate foi realizado pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil da Região Metropolitana de Fortaleza (STICCRMF) após denúncia dos próprios operários. Segundo o presidente da entidade, Nestor Bezerra, os trabalhadores eram mantidos sem água potável, com alimentação restrita e sofriam ameaças constantes para não denunciar a situação.

Promessas não cumpridas

Os maranhenses, a maioria da cidade de Santa Helena, foram recrutados com a promessa de carteira assinada até o fim do ano. O membro mais antigo do grupo chegou ao Ceará em janeiro de 2025 para atuar na construção de um condomínio na zona rural de Maranguape, a cerca de 3 km do Centro.

No entanto, ao chegarem ao canteiro de obras, encontraram uma realidade diferente: vínculo informal terceirizado com pagamentos proporcionais ao volume de trabalho, ausência de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e alojamento precário sem água encanada.

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Situação se agravou nos últimos meses

Há cerca de três meses, a situação piorou drasticamente. O empreiteiro responsável passou a fornecer a alimentação em quantidade insuficiente e iniciou atraso nos pagamentos. Paralelamente, aumentou a pressão psicológica sobre os trabalhadores, com ameaças caso procurassem a polícia ou o Ministério do Trabalho.

O ápice ocorreu na segunda-feira (20), quando o grupo não compareceu ao trabalho após comemorar o aniversário de um colega. Como retaliação, o empreiteiro cortou a alimentação. “Ele disse que quem não trabalhasse não comia, e, se o denunciassem à polícia ou ao Ministério do Trabalho, não deixava sair de lá”, relata Nestor Bezerra.

Investigação em andamento

Após o resgate, os trabalhadores foram alimentados pelo sindicato e levados para registrar boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia Civil de Maranguape. O caso está sendo acompanhado pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Ceará (SRTE-CE), que investiga possível trabalho análogo à escravidão.

Atualmente, o STICCRMF atua como mediador para garantir que a Engeplan, empresa responsável pela obra, pague imediatamente as rescisões contratuais, direitos trabalhistas e custeie as passagens de retorno dos trabalhadores ao Maranhão.

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Redação Se Liga Fortal
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