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Porto Alegre realiza marcha e encontro contra intolerância religiosa nas religiões de matriz africana

Neste sábado (15), Porto Alegre sedia a 3ª Marcha dos Quimbandeiros e o 19º Encontro Internacional de Quimbandeiros, liderados pelo babalorixá Pai Ricardo de Oxum. Os eventos reafirmam a luta contra o preconceito religioso e visam desmistificar as entidades Exu e Pomba-Gira.

Porto Alegre se mobiliza neste sábado (15) contra a intolerância religiosa com a realização da 3ª Marcha dos Quimbandeiros, a partir das 14h, e do 19º Encontro Internacional de Quimbandeiros, a partir das 20h. Os eventos, liderados pelo babalorixá Pai Ricardo de Oxum, presidente da Sociedade Beneficente Cultural Oxum e Oxalá, pretendem consolidar a capital gaúcha como referência nacional e internacional para praticantes e sacerdotes da Quimbanda do Brasil, Uruguai e Argentina.

O Rio Grande do Sul possui o maior percentual de seguidores de religiões de matriz africana do país, com 3,19% da população, segundo o Censo Demográfico 2022 do IBGE. Paradoxalmente, o estado também registra um dos maiores índices de intolerância religiosa. Dados do Disque 100, entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, apontam 2.774 denúncias de intolerância religiosa, com religiões de matriz africana representando a maioria dos casos identificados: 228 na Umbanda e 161 no Candomblé. A marcha do ano passado reuniu aproximadamente 2 mil pessoas que, em manifesto com trio elétrico e cantos de pontos, demonstraram que Exu e Pomba-Gira são entidades benéficas que não escolhem sexo para se manifestar. “É um momento de explanar os preconceitos vivenciados em terreiros e cidades diferentes”, afirma Pai Ricardo.

Pai Ricardo de Oxum destaca a urgência em desmistificar essas figuras espirituais, ainda associadas ao mal por setores contrários às religiões afro-brasileiras. Para ele, exemplos como o desfile de 2022 da Grande Rio, que explorou o enredo “Fala, Majeté! Sete Chaves de Exu”, contribuem para essa ressignificação. O encontro ocorrerá em espaço histórico doado pela prefeitura de Porto Alegre, onde está o primeiro monumento a Exu em céu aberto do Brasil, instalado há cinco anos. Sacerdote dedicado há mais de três décadas à preservação das tradições afro-brasileiras, Pai Ricardo reafirma que “dentro do panteão africano não existe a palavra diabo” e convida a população a conhecer os milagres e as famílias unidas que essas entidades abençoam.

Com informações da Agência Brasil.

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