Economia

Riqueza concentrada na elite política agrava desigualdade no Brasil, aponta Oxfam

Relatório da Oxfam Brasil revela que a concentração de riqueza entre políticos amplifica a desigualdade econômica e enfraquece a democracia. O estudo mostra que apenas 13,2% dos municípios elegeram prefeitas em 2024 e que milionários têm 4 mil vezes mais chances de ocupar cargos públicos.

A Oxfam Brasil divulgou nesta quarta-feira (19) um relatório alarmante sobre as desigualdades brasileiras: aqueles que concentram riqueza usam o poder político para criar leis e regulações que impedem a distribuição de recursos. Intitulado ‘Um Retrato das Desigualdades Brasileiras: Poder, Privilégio e a Captura da Democracia’, o estudo mostra como as elites monopolizam recursos econômicos, jurídicos e simbólicos para manter suas posições privilegiadas. A investigação aponta que essa dinâmica é resultado de uma formação histórica marcada pelo legado da escravidão, concentração fundiária e reorganização secular dos privilégios das classes dominantes.

Os dados são preocupantes: o Brasil ocupa a quarta posição mundial em desigualdade patrimonial, com 69% da população adulta na base da pirâmide, possuindo patrimônio médio de até R$ 51 mil. A estrutura tributária do país penaliza mais a base do que o topo, mantida por uma dupla blindagem ideológica e jurídica. Nas eleições de 2024, apenas 13,2% dos municípios elegeram prefeitas, e no Senado, 80% dos parlamentares são homens. Além disso, entre os candidatos ao Senado em 2022, milionários representavam 38% dos concorrentes, mas conquistaram 55% das vagas disponíveis.

A Oxfam critica também o papel das grandes corporações de tecnologia e plataformas de apostas, que acentuam a desigualdade aproveitando a falta de regulamentação. O relatório alerta que políticas de transferência de renda, embora necessárias, não resolvem o problema sem enfrentar as dimensões patrimoniais, tributárias, raciais, territoriais e de gênero da desigualdade. A organização propõe quatro áreas de atuação: promoção de igualdade tributária, defesa de participação política equilibrada, representação efetiva da diversidade social no Congresso e controle social dos gastos públicos e conselhos.

Com informações da Agência Brasil.

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