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Dívida dos EUA ultrapassa US$ 40 trilhões; entenda os principais culpados

A dívida pública americana atingiu recordes históricos impulsionada por cortes de impostos para ricos, conflitos no Oriente Médio e tarifas de importação. Economistas alertam que situação pode pressionar juros no Brasil, mas descartam risco de insolvência dos EUA.

A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões pela primeira vez na história, um marco que reflete a conjunção de fatores econômicos críticos. Segundo especialistas consultados, o crescimento explosivo — que dobrou desde 2017 — foi impulsionado principalmente pela redução de impostos para os ricos, pela inflação causada pelo conflito no Oriente Médio que pressiona o preço dos combustíveis e pelas tarifas de importação implementadas pelo governo Trump. A esse cenário somam-se os elevados gastos militares, próximos a US$ 1 trilhão, e o aumento dos juros da dívida, que atingiram US$ 1,1 trilhão — mais que o dobro dos US$ 419 bilhões registrados em 2021.

Apesar do número impressionante, economistas rejeitam qualquer risco de insolvência americana. O professor da Unicamp Pedro Paulo Zahluth Bastos explica que os EUA não correm esse risco porque emitem sua própria moeda e o dólar funciona como principal reserva monetária global. Dois terços da dívida estão em mãos domésticas, enquanto US$ 4,5 trilhões estão no Federal Reserve, reduzindo significativamente os riscos. A dívida em mercado representa cerca de 100% do PIB americano, semelhante aos níveis de 1946, ao fim da Segunda Guerra Mundial. O único risco real seria político, caso o Congresso se recusasse a autorizar o aumento do teto da dívida.

O que realmente preocupa especialistas é o crescimento dos juros cobrados pelos títulos do Tesouro. O chamado “risco Trump” — caracterizado pela política econômica errática e agressiva da Casa Branca — tem aumentado a desconfiança do mercado. A tendência de governos como Brasil e China reduzirem suas reservas em títulos americanos aponta para uma perda de confiança em relação às políticas da administração. Bastos alerta que o aumento dos juros não está ligado ao tamanho da dívida, mas à inflação provocada pelo petróleo do conflito no Oriente Médio e às tarifas comerciais. Essa situação fiscal pressiona o Brasil a manter suas taxas de juros em níveis elevados, impactando diretamente a economia brasileira.

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