Política

Câmara debate criação de Comissão Nacional Indígena da Verdade em audiência histórica

Deputada Sônia Guajajara organiza audiência pública no Congresso Nacional para avançar na criação da Comissão Nacional Indígena da Verdade, demanda de mais de uma década dos povos originários. O objetivo é documentar violências cometidas pelo Estado durante a ditadura militar contra comunidades indígenas.

A criação da Comissão Nacional Indígena da Verdade (CNIV) será tema de audiência pública na Câmara dos Deputados no próximo 17 de novembro. A iniciativa é da ex-ministra e deputada federal Sônia Guajajara (PSOL-SP), que articula há anos essa demanda junto aos povos originários. A audiência, aprovada pela Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais, busca avançar em uma proposta que visa responsabilizar o Estado pelas violências cometidas contra indígenas durante o período ditatorial, incluindo escravização, torturas, desaparecimentos forçados e destruição de patrimônio cultural.

Diferentemente da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que documentou impactos em apenas dez povos indígenas e estimou 8.350 assassinatos entre 1964 e 1985, a CNIV pretende ampliar significativamente esse registro. O evento contará com a participação de lideranças indígenas, representantes do poder público, do sistema de Justiça, sociedade civil e pesquisadores, que apresentarão contribuições para complementar a documentação existente. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) figura entre as entidades que reforçam a necessidade dessa comissão especializada.

“Não podemos construir uma democracia verdadeira sem reconhecer as violências cometidas contra os povos indígenas. Precisamos garantir o direito à memória e à verdade, identificar responsabilidades e construir políticas de reparação integral para que essas violações nunca mais se repitam”, afirma Sônia Guajajara. A proposta se sustenta na estruturação de uma Rede de Comissões da Verdade Indígena, com coordenação geral, equipe técnica e colegiado composto por órgãos estatais e representantes dos povos indígenas e da sociedade civil, com objetivo também de mensurar impactos territoriais, sociais, culturais e espirituais nas comunidades.

Com informações da Agência Brasil.

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