A chegada de grandes projetos de data centers ao Complexo do Pecém pode transformar o Ceará em um polo estratégico na cadeia global de tecnologia, energia, logística e comércio exterior. O movimento já ganhou força com investimentos bilionários previstos para a região.
O projeto da Voltalia na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Pecém foi aprovado com investimento estimado em R$ 181,7 bilhões. A iniciativa se soma ao empreendimento da ByteDance, dona do TikTok, que já está com obras em andamento no mesmo complexo portuário.
Outro fator que impulsiona o setor é o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), sancionado pelo governo federal em maio. A medida garante incentivos fiscais para empresas que investirem em pesquisa, desenvolvimento, inovação e sustentabilidade.
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Efeitos vão além da tecnologia
Segundo Augusto Fernandes, especialista em comércio internacional, os impactos econômicos ultrapassam o setor de tecnologia. “Não estamos falando apenas de data centers. Estamos falando de uma cadeia internacional que envolve importação de equipamentos, serviços especializados, logística, energia, infraestrutura e capital estrangeiro”, destaca.
O Ceará reúne vantagens competitivas como a infraestrutura do Porto do Pecém, a ZPE, matriz de energia renovável e cabos submarinos com conexão internacional — elementos essenciais para atrair empreendimentos do tipo.
Importação de equipamentos movimenta economia
Os data centers instalados na ZPE têm foco na exportação de serviços de processamento de dados. Na prática, informações de usuários estrangeiros são processadas no Ceará e retornam digitalmente, gerando receita em dólar para o país.
Para funcionar, esses centros precisam de equipamentos importados, principalmente da Ásia. A lista inclui servidores de alta performance, GPUs para inteligência artificial, unidades de armazenamento, switches, roteadores, componentes eletrônicos, sistemas de refrigeração, geradores de backup e cabos especiais.
A previsão é de aproximadamente 15 voos cargueiros mensais vindos da China a partir de 2027. Com os benefícios da ZPE e do Redata, há suspensão ou isenção de Imposto de Importação, IPI e PIS/Cofins sobre esses produtos.
A maior parte do investimento previsto nos data centers — que ultrapassa R$ 100 bilhões — será destinada justamente à compra desses equipamentos. A construção civil das estruturas deve girar entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões.






