Política

Lula e Flávio trocam críticas acirradas em debate na Globo sobre políticas sociais e economia

Durante debate televisivo, candidatos protagonizaram confronto direto sobre desemprego, endividamento e saúde. Flávio pediu desculpas após fazer referência ao acidente que Lula sofreu aos 17 anos.

O debate entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) na TV Globo foi marcado por momentos de alta tensão e trocas de acusações sobre gestão pública e políticas sociais. O pico do confronto ocorreu quando Flávio afirmou que o presidente “dá com uma mão e tira com nove dedos” — uma referência ao acidente que Lula sofreu em 1964, aos 17 anos, quando trabalhava como torneiro mecânico e perdeu o dedo mínimo da mão esquerda. A fala provocou reação indignada do petista, que cobrou desculpas e criticou o adversário por usar um episódio traumático de sua vida laboral como argumento político. “Você vai ter que pedir desculpa. Porque o povo trabalhador está vendo”, afirmou Lula. Flávio pediu desculpas em seguida, reconhecendo ter exagerado.

Os candidatos divergiram fortemente sobre políticas sociais e situação econômica do país. Lula questionou Flávio sobre seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade e o chamou de desrespeitoso ao referir-se ao Bolsa Família como “bolsa-farelo”. Flávio reconheceu mudança de posição sobre a licença-maternidade, alegando que agora compreende a importância do tema após casar e ter filhas. Sobre endividamento das famílias, o senador atribuiu a responsabilidade ao governo Lula e à política de juros do Banco Central, enquanto o presidente rebateu que o crescimento econômico é a solução para reduzir a dívida. Flávio propôs usar a Caixa Econômica Federal para refinanciar dívidas, ao que Lula respondeu que iniciativas similares já haviam sido encaminhadas ao Senado.

Na questão da saúde, Lula questionou declarações atribuídas à equipe econômica de Flávio sobre redução de investimentos no SUS e criticou a gestão da pandemia no governo anterior. “Como é que você quer melhorar a saúde desse país negando o plano de saúde mais importante?”, perguntou o presidente, mencionando as mortes por covid-19. Flávio respondeu que manteria investimentos no sistema, mas criticou as filas de atendimento e a burocracia, prometendo fazer “cortes na corrupção” e aumento da tabela de procedimentos do SUS. Os candidatos também debateram a população em situação de rua, com dados apontando 365,8 mil pessoas nessa condição em dezembro de 2025, um aumento de 55% desde 2022.

Com informações da Agência Brasil.

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