Brasil

Americanos enfrentam dilema: economia cresce, mas inflação esvazia o bolso

Enquanto desemprego permanece historicamente baixo e mercado de ações bate recordes, eleitores americanos demonstram pessimismo com os preços altos que corroem o poder de compra. A contradição revela sentimento de descontentamento apesar de indicadores econômicos positivos.

Às vésperas de uma eleição que pode redefinir o cenário político americano, os eleitores dos Estados Unidos vivem um paradoxo econômico. Se os números oficiais apontam para solidez — desemprego de 4,2%, economia crescendo 3,4% e mercado de ações em alta — a percepção das famílias é outra: pessimismo e preocupação com uma inflação que não cede. Os consumidores atribuem a culpa ao governo pelos preços elevados, particularmente apontando tarifas comerciais e a guerra no Irã como responsáveis pela persistência da inflação.

Os dados, porém, revelam uma realidade mais complexa. Do lado positivo, há mais pessoas empregadas do que nunca, os investimentos em inteligência artificial impulsionaram o mercado de ações — engrossando contas de aposentadoria de milhões — e o crescimento geral é robusto. Pesquisas mostram que consumidores percebem abundância de empregos, enquanto os pedidos semanais de auxílio-desemprego estão próximos do menor nível em 57 anos. Empresas não realizam demissões em massa, mantendo estabilidade no mercado de trabalho.

Mas a inflação permanece como espinha dorsal do descontentamento. Embora tenha recuado desde o pico de 2022, segue bem acima da meta de 2% do Federal Reserve. Desde janeiro de 2025, preços e salários subiram em torno de 5,5%, deixando trabalhadores no mesmo patamar de poder de compra de quando Trump assumiu — não melhoraram, mas também não pioraram. A situação se agravou com a escalada no Oriente Médio e a demanda por IA, que elevaram custos de energia e ampliaram a pressão inflacionária. Simultaneamente, hipotecas acima de 7% e escassez de imóveis tornaram a compra de casa inaccessível para muitos americanos.

O Federal Reserve reagiu elevando juros em setembro e deve fazer novo aumento em dezembro, buscando conter a inflação. Economistas reconhecem que, apesar do desempenho macroeconômico sólido, a frustração das famílias com preços altos e custos de crédito é legítima e dominará as decisões nas urnas. Como afirmou o secretário do Tesouro, o comportamento do consumidor permanece sólido, mas as pesquisas capturam um sentimento de incerteza que nem os recordes do mercado de ações conseguem dissipar.

Com informações da Agência Brasil.

Veja também