Três dias após o segundo turno das eleições, partidos do Centrão apresentaram uma proposta ambiciosa para reformular o sistema eleitoral brasileiro. Liderados pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), legendas como PP, PSD, União Brasil, Podemos e PSB querem aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ainda este ano, instituindo o voto distrital misto para escolha de deputados federais, estaduais e vereadores — mantendo o Senado com o sistema majoritário atual.
Atualmente, Brasil elege seus representantes pelo sistema proporcional, no qual o eleitor vota no partido ou candidato, e os mais votados por legenda ocupam as cadeiras de acordo com o quociente eleitoral. Nesse modelo, um candidato com menos votos pode ser eleito se integrar uma legenda bem votada, enquanto outro com mais votos pode ficar de fora se seu partido teve baixa votação. A proposta do Centrão dividiria as vagas em duas modalidades: metade pelo sistema distrital (onde o mais votado de cada região é eleito) e metade por lista partidária fechada (votação em partido, não em pessoa). Cada eleitor teria dois votos.
A principal crítica ao voto distrital é seu impacto negativo para minorias políticas em regiões com tendência majoritária, além do risco de manipulação dos limites distritais para favorecer certos grupos — prática conhecida como “gerrymandering”. Por outro lado, defensores apontam campanhas mais baratas e maior proximidade entre políticos e eleitores. O novo sistema contaria com regra de transição para 2030, com implementação plena em 2034.
Com informações da Agência Brasil.




