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Unicef e entidades cobram compromissos de candidatos contra violência infantil

Unicef e Fórum Brasileiro de Segurança Pública exigem propostas concretas dos candidatos às eleições de 2026 para combater a violência contra crianças e adolescentes. Com cinco mortes diárias registradas, entidades defendem política nacional de prevenção baseada em evidências.

A Unicef e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública intensificam pressão sobre os candidatos às eleições de outubro de 2026 para que apresentem propostas robustas de combate à violência infantil. A mobilização tem objetivo de qualificar o debate político e garantir compromissos concretos dos aspirantes a cargos executivos, caso eleitos.

“A violência dentro e fora de casa é a maior preocupação do Unicef nestas eleições”, afirmou Joaquim Gonzales-Aleman, representante da agência da ONU. O porta-voz ressalta que a campanha busca respostas adequadas e fundamentadas dos candidatos, evitando simplismos. Com o encerramento do prazo de registro de candidaturas neste sábado (15), técnicos da Unicef analisarão os programas de governo para verificar propostas específicas de enfrentamento à violência contra menores de 18 anos, incluindo assassinatos.

Os números refletem a urgência da questão. Entre 2024 e 2025, foram registradas 2.079 mortes violentas intencionais de crianças e adolescentes no Brasil — uma média de cinco óbitos diários. Oitenta e oito por cento das vítimas tinham entre 12 e 17 anos, sendo a maioria negra. Apesar da redução de 10,8% em relação ao período anterior, o fenômeno revela um problema estrutural que exige abordagem multissetorial. Layla Saad, representante adjunta para Programas do Unicef, enfatiza que a agência defende uma política nacional de prevenção com responsabilidades compartilhadas entre União, estados e municípios, com fontes orçamentárias definidas e ações coordenadas.

As entidades criticam propostas punitivistas, como redução da maioridade penal, argumentando que ignoram dados concretos. Segundo o Fórum, o número de adolescentes no sistema socioeducativo caiu 53% entre 2016 e 2025 — de 26.450 para 12.203. O sociólogo Cauê Martins destaca que 65% dos estupros de vulneráveis ocorrem na residência das vítimas, cometidos por pessoas próximas. Para combater a violência com eficácia, políticas públicas precisam ser baseadas em evidências e transparência de dados de segurança.

Com informações da Agência Brasil.

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