Dados inéditos do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025, analisados pelo Instituto Sonho Grande e Instituto Natura, comprovam a efetividade do ensino médio em tempo integral como ferramenta de redução da desigualdade educacional. Entre as 100 escolas de menor nível socioeconômico com melhor desempenho, 77 funcionam 100% integrais. O levantamento aponta que o ganho dessa modalidade é quase 70% superior quando comparado entre escolas de contextos mais vulneráveis em relação às de menos vulnerabilidade.
Os números do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) 2025 reforçam o impacto transformador. Em matemática, alunos do ensino integral em escolas de baixa renda obtiveram 23 pontos a mais que estudantes do ensino parcial—o equivalente a 4,6 anos extras de aprendizado. Em língua portuguesa, a diferença foi de 21 pontos, representando 3,2 anos adicionais de escolarização. Essas diferenças ocorrem porque o tempo estendido permite simultaneamente avançar no conteúdo da série e recuperar aprendizagens defasadas, uma combinação impossível na jornada parcial.
O sucesso não decorre apenas do aumento de horas na escola, mas de como esse tempo é estruturado. O modelo se sustenta em quatro pilares: construção do projeto de vida e protagonismo juvenil; acolhimento com acompanhamento socioemocional individualizado; aprendizado prático conectado ao mundo real; e orientação de estudos com tutoria. Além do recorte socioeconômico, os dados também revelam efeito equalizador racial: em escolas onde estudantes pretos, pardos e indígenas representam mais de 80% das matrículas, o Ideb integral alcança 4,9 contra 4,3 do ensino parcial. O Piauí destaca-se como referência nacional, sendo o único estado com 100% das escolas estaduais de ensino médio em tempo integral—transformação realizada entre 2022 e 2025, provando que a universalização é possível mesmo com recursos financeiros limitados.
Com informações da Agência Brasil.


