Eleito com a promessa de reduzir o Estado e reativar a economia, o presidente do Chile, José Antonio Kast, colhe resultados opostos aos esperados. Em apenas sete meses de mandato, o país enfrenta uma crise econômica marcada pela retração do Produto Interno Bruto (PIB) e desemprego crescente. No terceiro trimestre de 2026, o desemprego chegou a 9,6%, com aumento de 1 ponto percentual em 12 meses, enquanto o PIB recuou 0,3%, após queda de 0,2% no trimestre anterior. Diante do cenário, Kast lançou em setembro um programa de investimentos de 1,3 bilhão de pesos chilenos voltado à criação de empregos mediante obras de infraestrutura e subsídios para novos postos de trabalho.
Os números refletem o impacto devastador da agenda de austeridade implementada pelo presidente, que prometeu cortar 3% das despesas estatais e reduzir impostos para empresas. O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou drasticamente suas previsões, reduzindo a expectativa de crescimento do PIB chileno de 1,8% para apenas 0,6% em 2026, segunda pior performance da América do Sul. Os cortes atingiram principalmente saúde, educação, habitação e previdência, prejudicando 48 programas sociais focados na população mais pobre, segundo a Fundação Horizonte Cidadão. Especialistas alertam que a redução de gastos agravou uma economia já fragilizada pela queda na produção de cobre, setor responsável por 40% a 50% das exportações chilenas e que registra queda de 8% até agosto comparado ao período anterior.
A crise é potencializada pelo choque nos preços dos combustíveis, resultado das guerras no Oriente Médio, que o governo Kast optou por não intervir, agravando a inflação em toda economia. Paralelamente, aumentos nos combustíveis e cortes em programas sociais alimentam mobilizações estudantis que terminam em confrontos com a polícia. O presidente, que prometeu reduzir gastos fiscais sem cortar benefícios sociais, amarga uma taxa de desaprovação superior a 60% após sete meses no poder, evidenciando o fracasso da fórmula econômica similar à adotada por Donald Trump nos EUA e Javier Milei na Argentina.
Com informações da Agência Brasil.


