O Ceará vai sediar a primeira fábrica do mundo dedicada à produção em larga escala de curativos biológicos feitos com pele de tilápia liofilizada. A unidade será instalada em Jaguaribara, no Vale do Jaguaribe, com previsão de iniciar operação plena em 2028.
Desenvolvido pela Universidade Federal do Ceará (UFC), o curativo inovador é voltado para tratamento de queimaduras e outras condições médicas. A produção poderá abastecer hospitais, empresas de saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) e o mercado internacional.
Produção de 4 mil unidades diárias
O secretário de Desenvolvimento Econômico do Ceará, Fábio Feijó, explica que a fábrica aproveitará resíduos da produção de filé de tilápia da região. “Temos uma pesquisa que se tornou patente e agora vai virar indústria. É um resíduo se transformando em recurso e movimentando a economia da região”, afirma o gestor.
O projeto será conduzido pelo Consórcio Biotec, por meio da Inova Medical, com expectativa de produzir cerca de 4 mil unidades diárias. Segundo Feijó, a empresa investidora estima que 50% da produção será exportada e 25% destinada ao mercado brasileiro de saúde.
Localização estratégica e incentivos públicos
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Jaguaribara foi escolhida por ser um dos maiores produtores de tilápia do Brasil e ficar próxima a Orós, outro grande polo do Estado. Essa proximidade garante fornecimento quase ininterrupto de matéria-prima.
O coordenador geral da Pesquisa da Pele de Tilápia e presidente do Instituto de Apoio ao Queimado, Edmar Maciel, destaca a importância de instalar a fábrica no município. “Nada mais justo. Tudo se iniciou em Jaguaribara. A primeira vez que conhecemos piscicultura foi lá, trouxemos os primeiros peixes para extrair pele e estudar durante anos”, relembra.
Governo do Ceará e Prefeitura de Jaguaribara firmaram acordo em que o município doa o terreno e o Estado constrói a infraestrutura. A estrutura pertencerá ao patrimônio público e será alugada para a empresa, reduzindo custos iniciais e fixando a operação no território cearense.






