Cultura

Redes sociais impulsionam interesse por leitura e fortalecem comunidades literárias no Brasil

A escritora Carla Madeira destaca o papel das redes sociais e clubes de leitura na ampliação do interesse por livros no país. Apesar do crescimento, a autora alerta que o brasileiro ainda lê pouco em relação à população total.

O Largo do Pelourinho, em Salvador, reuniu centenas de pessoas na última sexta-feira para ouvir a escritora mineira Carla Madeira, uma das autoras mais lidas do Brasil com mais de 1 milhão de cópias vendidas. Participante da 10ª Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), ela celebrou o crescimento do hábito de leitura entre os brasileiros e destacou o papel fundamental das redes sociais nessa transformação. “As pessoas estão descobrindo que é legal conversar sobre o que elas leem, concordar, discordar, discutir. E isso é maravilhoso porque é um exercício de troca e tem uma riqueza de ampliar a consciência”, afirmou.

Segundo Carla Madeira, a expansão dos clubes de livros e festivais literários, potencializada pelas redes sociais, contribui diretamente para aumentar o interesse pela leitura. Contudo, ela ressalva que o Brasil ainda enfrenta desafios significativos. Dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2024 pelo Instituto Pró-Livro, mostram que apenas 47% da população com 5 anos ou mais se declarou leitora, enquanto 53% não havia lido sequer parte de um livro nos três meses anteriores. A escritora aponta que questões como educação formal, incentivo à leitura, acesso aos livros e condições de moradia impactam diretamente esses números.

Durante sua participação na Flipelô, Carla Madeira também anunciou o lançamento de seu novo livro “Quando” ainda neste mês. A obra aborda a história de uma mãe que denuncia seu próprio filho à polícia e passa por períodos de ditadura brasileira. Segundo ela, a maternidade e a família como núcleo fundante são temas recorrentes em seus trabalhos. “É ali onde acontecem os primeiros pactos civilizatórios e começamos a ter nossa primeira visão de mundo”, explicou.

Com informações da Agência Brasil.

Veja também