Durante as duas primeiras semanas da Copa do Mundo, o Brasil vivenciou um fenômeno paradoxal: enquanto casas de apostas online inundam as transmissões com publicidade massiva, o número de solicitações para autoexclusão de plataformas de bets disparou. Conforme dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, entre 15 e 28 de junho foram registrados 17.866 pedidos diários para bloqueio de CPF, uma alta de aproximadamente 7 vezes comparada aos 2.594 pedidos médios diários de maio.
A Plataforma Centralizada de Autoexclusão, lançada pelo governo federal em dezembro de 2022, permite que cidadãos bloqueiem simultaneamente o uso de seus CPFs em todas as casas de apostas legalizadas no país. O recurso oferece duas modalidades: bloqueio permanente ou temporário, com durações entre 1 e 12 meses. Desde sua implementação, mais de 1 milhão de pessoas já se cadastraram no serviço.
Os motivos alegados pelas pessoas que solicitam a autoexclusão também sofreram mudanças significativas. Enquanto em maio a perda de controle sobre o jogo liderava as justificativas com 43% dos casos, nas primeiras duas semanas do torneio a prevenção do uso dos dados em plataformas de apostas se tornou o principal motivo, citado por 29,5% dos solicitantes. A perda de controle sobre o jogo caiu para segundo lugar com 24,13%. Além da ferramenta digital, o Sistema Único de Saúde oferece teleatendimento gratuito para pessoas que enfrentam compulsão por apostas.
Com informações da Agência Brasil.




