A participação de mulheres na direção de filmes brasileiros continua alarmantemente baixa. Segundo dados do Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro de 2024, publicado pela Agência Nacional de Cinema (Ancine), mulheres representam apenas 17% da direção de séries e filmes produzidos no país. O cenário é ainda mais crítico quando se analisam os longas-metragens: enquanto 231 produções de 2023 foram dirigidas exclusivamente por homens, apenas 52 tiveram mulheres à frente.
O paradoxo é gritante. Apesar de formarem a maioria entre os egressos de cursos audiovisuais e conquistarem 44% do mercado cinematográfico, mulheres ocupam apenas 20% dos cargos de liderança nas produções. Para Minom Pinho, produtora e diretora da Associação Paulista de Cineastas (Apaci), a solução passa por políticas públicas com metas concretas. “As grandes mudanças se fazem com política pública. É preciso estabelecer metas mais claras, como estipular que 30% das direções e roteiros em longas-metragens sejam de mulheres até 2030”, defendeu durante o festival Bonito CineSur.
Os números também revelam segregação por gênero nas funções. Enquanto mulheres dominam áreas como direção de arte (99 mulheres contra 57 homens) e produção executiva (110 contra 66), setores historicamente associados ao trabalho feminino, sua presença em posições de poder criativo permanece marginal. Participantes de mesa de debates no festival sul-americano destacaram a urgência em ampliar narrativas dirigidas por mulheres. A atriz chilena Paulina Garcia enfatizou a necessidade de histórias mais complexas, enquanto Gabriela Sandoval, diretora do Festival de Cinema de Santiago, ressaltou a importância de construir redes que fortaleçam a atuação feminina no continente.
Com informações da Agência Brasil.




