O câncer de pulmão continua sendo uma doença silenciosa que assola o Brasil. Segundo dados do Instituto Lado a Lado pela Vida, 89,6% dos 7.267 casos registrados no Sistema Único de Saúde em 2023 foram diagnosticados já em estágios avançados (3 e 4), quando as chances de cura são praticamente nulas. Em contraste, apenas 10,4% dos pacientes tiveram a doença detectada nas fases iniciais, quando o prognóstico é significativamente melhor, com taxa de cura chegando a 94%.
O oncologista Igor Morbeck, membro do Comitê Científico da instituição, aponta que a exposição crescente a fatores de risco como tabagismo, sedentarismo, obesidade e má alimentação explica o avanço dos diagnósticos tardios. Além disso, a ausência de um programa oficial de rastreamento no Brasil agrava a situação. “Essa doença, por ser silenciosa, apresenta sintomas comuns a outras condições como tosse, falta de ar e infecções respiratórias, fazendo com que as pessoas protelem o diagnóstico”, alerta o médico. Ele ressalta que a tomografia anual está disponível no SUS, especialmente recomendada para tabagistas e ex-tabagistas dos últimos 15 anos.
O problema se intensifica pela precariedade no acesso aos exames diagnósticos adequados. Muitos pacientes recebem apenas radiografias de tórax, insuficientes para detectar tumores pulmonares, deixando a doença evoluir sem controle. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, entre 2026 e 2028, o Brasil deve registrar aproximadamente 35.380 novos casos anuais de câncer de pulmão. Especialistas defendem campanhas de conscientização e políticas públicas que permitam rastreamento precoce, particularmente em grupos de risco, como forma de economizar recursos e salvar vidas. A campanha Respire Agosto foi criada justamente para alertar a população sobre a importância da prevenção e detecção precoce da doença.
Com informações da Agência Brasil.




