O Ceará enfrenta um aumento alarmante nos casos de dengue em 2026. Até o início de agosto, o estado registrou 36.393 notificações e mais de 11 mil confirmações da doença, segundo dados do IntegraSUS, plataforma da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).
Os números representam um salto de 91,7% nas notificações e 172,7% nas confirmações em comparação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados 25 mil casos notificados e 4.856 confirmados. Segundo informe operacional da Sesa divulgado em 11 de agosto, 34 municípios cearenses apresentam incidências alta ou muito alta, configurando cenário de risco para epidemias nesses territórios.
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Retorno do sorotipo DENV-3 preocupa autoridades
Embora o sorotipo DENV-2 predomine com 85,7% das amostras analisadas pelo Lacen, seguido pelo DENV-1 (13,6%), a detecção do DENV-3 em 0,7% dos casos acende o alerta. Este sorotipo foi identificado em Russas (10 casos), Fortaleza (8), Brejo Santo (7), Aracati, Iguatu, Caucaia e Camocim.
Introduzido no Ceará em 2001, o DENV-3 prevaleceu em 2008, 2011, 2021 e 2025. Como a maioria da população não possui imunidade contra ele, há risco de novos surtos de rápida propagação no estado.
Onde a transmissão é mais intensa
A circulação da dengue já atinge 176 dos 184 municípios cearenses. Entre as 34 cidades em situação de risco, 25 apresentam transmissão ativa sustentada, com destaque para a região Sul (Cedro, Jardim, Farias Brito, Granjeiro, Ipaumirim, Porteiras, Baixio, Cariús e Várzea Alegre), Norte (Tianguá, Hidrolândia, Catunda, Reriutaba, Guaraciaba do Norte, Tamboril, Sobral e Croatá) e Litoral Leste (Aracati, Pereiro, Jaguaretama, Palhano, Jaguaribara, Itaiçaba, Jaguaribe e Icapuí).
As Superintendências Norte e Fortaleza concentram 62,5% das notificações, enquanto a Sul registra 34,4% das confirmações e maior positividade laboratorial (42,7%).
Mortes e casos graves
Em 2026, o Ceará contabilizou 376 casos de dengue com sinais de alarme e 19 casos graves. Foram confirmadas 18 mortes, distribuídas entre Fortaleza (7), região Norte (5), Sul (3) e Litoral Leste (1). Outras cinco mortes seguem em investigação.
O pico de confirmações ocorreu entre 22 de junho e 1º de agosto. A positividade dos exames teve trajetória ascendente a partir de 31 de maio, com auge na Semana Epidemiológica 29 (19 a 25 de julho).
Como reconhecer os sintomas
A dengue causa febre alta repentina (39°C a 40°C) acompanhada de pelo menos dois sintomas: dor de cabeça, prostração, dores musculares ou articulares e dor atrás dos olhos. Sinais de gravidade incluem dor abdominal intensa, vômitos frequentes, tontura, dificuldade para respirar, sangramentos e irritabilidade extrema.
A prevenção passa pela eliminação de água parada, uso de telas e repelentes, vedação de caixas d’água e desobstrução de calhas e ralos.
Outras arboviroses
A chikungunya registrou 5.276 notificações em 2026 (alta de 9,6%), mas apenas 151 confirmações — queda de 71,5% em relação a 2025. Fortaleza, Tamboril, Sobral e Aracati lideram os casos. Já a zika e a febre oropouche não registraram ocorrências neste ano, em contraste com o surto de oropouche em 2025, que teve 713 casos confirmados.






